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Palestra do mago Neil Gaiman: uma lição para escritores.

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Abaixo você encontra uma tradução livre de um trecho editado da entrevista que o Neil Gaiman deu para o Nerdist podcast.

IDEIAS E RASCUNHOS

Para mim, escrever sempre foi um processo de tentar me convencer de que o que estou fazendo no primeiro rascunho não é importante. Me lembro da sensação de liberdade incrível quando deixei de usar uma máquina de escrever e passei a usar um computador, porque eu não estava mais criando pilhas de papel. Era apenas especulação, imaginação. Eu estava escrevendo aquelas palavras, mas elas não tinham importância.

Então, uma década depois, me lembro da mesma sensação de liberdade quando me dei conta que podia escrever em blocos de anotações, porque o texto não parecia real até que eu digitasse no computador. Uma das coisas que ainda faço é escrever em blocos de notas. Eu simplesmente escrevo a mão porque não é real.

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A Primeira Frase de Um Livro.

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Não sei se você um dia já parou para perceber a primeira frase dos livros que lê de forma diferente. Desde pré-adolescente, quando ia ler um livro julgava o autor pela primeira frase que ele escrevia. A primeira frase de um livro é certamente a mais importante, é a que faz o coração do leitor ter perspectiva do livro inteiro (mesmo que ele possa se enganar). Em meu livro, “Monte Castelo e os 7 vícios capitais”, escrevi como primeira frase: “Por que Deus criou o mundo?”. O livro já começa filosofando. Fiz isso porque este, assim como outros que tem nas frases seguintes, é um tipo de questionamento feito pela mente humana desde sempre. O livro em si não é religioso, afinal nas frases seguintes o leitor verá que este é o pensamento de Eduardo Montenegro, um arqueólogo ateu, o protagonista da história. Imagine você se deparar, ao abrir a primeira página de um livro, capítulo 1, com a indagação: “Por que Deus criou o mundo?”. É instigador.

Perceba a partir de agora que os grandes autores sempre começam seus livros com frases de impacto ou com frases que já indiquem como será o seu livro. Comece a anotar as frases perfeitas dos bons livros que você está lendo e você verá o impacto que causará quando descobrir que elas dizem muito sobre você e sobre o livro inteiro. Veja algumas primeiras frases de livros boas:

“Olho para os meus sapatos, observando a fina camada de cinza impregnar o couro gasto.”
(A Esperança – Suzzane Collins – O Último Livro da trilogia Jogos Vorazes)

“O nome do Curandeiro era Fords Águas Profundas.”
(A Hospedeira – Stephenie Meyer)

“Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela.”
(Senhora – José de Alencar)

“O Sr. Tench saiu para procurar seu cilindro de éter, sob o escaldante sol mexicano e a poeira esbranquiçada.”
(O poder e a glória – de Graham Greene)

“Os detetives nem mesmo sabiam que os dois se conheciam.”
(Metrópole do Medo – de Ed McBain)

“Em sua toca vivia um hobbit.”
(O Hobbit, J.R.R. Tolkien)

“Marina me disse um dia que a gente só se lembra do que nunca aconteceu.”
(Marina – Carlos Ruiz Zafón)

Não há dúvidas que são ótimas formas de começar uma história. Toda vez que começo a escrever um livro demoro muito na primeira frase, pois sei que se começar bem, terminará bem. E sempre me inspiro nesses livros que citarei a seguir para pensar na minha primeira frase. Eles fizeram este trabalho ficar bem difícil.

“No princípio, Deus criou os céus e a terra.” {Minha preferida}

(Bíblia)

“O físico Leonardo Vetra sentiu cheiro de carne queimada e sabia que era a sua.”

(Anjos e Demônios, Dan Brown)

“Todas as crianças crescem, menos uma.”

(Peter Pan e Wendy, James Matthew Barrie)

Agora, e você? Qual a sua primeira frase favorita de um livro?

 

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O primeiro livro a gente nunca esquece (O Estrangulador, Sidney Sheldon).

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Hoje pela manhã, me deparei conversando sobre livros com uma colega. Não demorou muito até que eu me indagasse: “Qual foi o primeiro livro que li em minha vida?”. Voltei no tempo, até chegar à antiga 6ª série do ensino fundamental. Eu tinha 12 anos. E foi ali que eu li o meu primeiro livro de verdade (por escolha, vontade própria, sem ser aqueles livros de 4 páginas com a história da Chapeuzinho Vermelho). Era “O Estrangulador”, de Sidney Sheldon. Comecei bem! O livro estava na biblioteca do colégio, editora Ática, série “Para gostar de ler”.

A história de “O Estrangulador” se passa em Londres, onde uma série de assassinatos de mulheres chama a atenção da polícia. Esta manda um jovem policial, Sekio Takagi, para investigar essas misteriosas mortes, até que um dia uma de suas vítimas escapa e começa a cooperar com a polícia. Akiko e Sekio se apaixonam. Ele a salva da morte no último momento e Alan (o estrangulador) é preso. Temos em “O Estrangulador” grandes momentos de ação e suspense onde o tempo é precioso e cada segundo pode ser fatal. É provável que Sheldon tenha se inspirado no lendário (ou real) personagem de Jack, o Estripador(serial killer).

Exponho aqui a importância de incentivar as crianças à leitura com livros bons e adequados à idade. Não do jeito que fazem. Vejo vários pais querendo que os filhinhos leiam livros tipo “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel. Ou até livros da nossa literatura adulta, como Guimarães Rosa, Machado de Assis, Jorge Amado. Não! Ainda não é tempo. Há tempo para tudo. Quando levar o seu filho à livraria, deixe que ele escolha aqueles livros de histórias em quadrinhos, mesmo que só tenha figuras em sua maioria. A ideia é fazer com que ele se interesse.

Foi a partir de “O Estrangulador” que eu comecei a gostar de ler e depois comecei a escrever o meu próprio livro. Veja que eu comecei muito tarde. Aos 12 anos, o ideal é que o jovem já seja um leitor assíduo. Lembro-me que eu contava aos meus colegas sobre a história desse livro com a mesma empolgação que relatava outrora os filmes bons. Naquele momento, desejei que um dia falassem de meus livros com a mesma motivação.

Talvez este não tenha sido o melhor livro que eu já li na vida. Não posso dizer que “O Estrangulador” foi melhor que “Peter Pan e Wendy”, “O Hobbit”, “O Senhor dos Aneis” e “O Último Reino”. Mas com certeza será sempre um livro inesquecível, pois, além de ser muito bom, foi o primeiro livro da minha vida. E o primeiro livro a gente nunca esquece.

E você? Qual o seu primeiro livro?

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