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Resenha – Monte Castelo, por Fabrício Ricardo.

LP 249 - 03 Monte castelo - modelo 2[1]

Monte Castelo é uma obra singular. Primeiro romance de Acácio Souto, o livro tem um estilo firme e pomposo, em que demonstra segurança no domínio das palavras… sem falar no emaranhado de estórias dentro de uma só narrativa, que transporta o leitor para dimensões díspares, como passado e presente… “hoje e ontem” se amarram na construção das características de seus personagens, pois os acontecimentos que permeiam a vida dos protagonistas são fundamentais para a construção de sua personalidade, numa espécie de autoconhecimento e de aceitação espiritual (talvez um encontro com o “eu” interior de cada um).

Acácio toca em temas esquecidos pela humanidade. Dentre eles está o AMOR. Mas não apenas o amor entre homem e mulher [este também está presente, e enche o coração pela grandiosidade sentimental que demarca as relações entre Dórati e Alexandre, ou até mesmo no amor latente nos corações de Eduardo e Sarah], mas o AMOR para com os nossos semelhantes, que incitam o respeito, a união, o perdão, a aceitação e vários outros sentimentos humanos que parecem estar esquecidos no tempo. Questiona as relações humanas, o jogo de interesses, a ganância que povoam os pensamentos menos nobres das pessoas… esses sentimentos negativos são responsáveis pela desestrutura entre as famílias, seja na ficção [como no caso dos irmãos-príncipes de Monte Castelo] ou na realidade, quando vemos hoje atrocidades inimagináveis realizadas pelos homens.

Então o autor de Monte Castelo nos responde com toda a certeza do mundo que só há uma solução para resolverem os males que afligem a humanidade… e que a solução de tudo está dentro de cada um, se souber encontrar em si mesmo DEUS. A fé é mais uma palavra que parece permear as entrelaçadas estórias desta obra, pois suas páginas demonstram que aqueles que a têm e que respeitam a Deus serão os que colherão os frutos da bonança, e não em uma vida vindoura e paradisíaca, mas aqui e agora… Deus é o alento para todas as dores; é quem planeja nossa vida, nossos caminhos, e sabe como tudo se findará. Essa mensagem, digna de um homem que cultiva o espírito, nos traça um perfil do próprio autor: Acácio Souto, que assim como as flores, as acácias, são parte da divindade, ele e todos os seres humanos também somos.

A linguagem empregada na obra também nos remete aos tempos possíveis em que a estória se passou, porque traz um estilo culto, próprio dos falares daqueles que dominavam a palavra. Já a parte mais moderna é marcada pelo coloquialismo, o que demonstra o domínio do conhecimento do autor, que soube discernir com eficácia e beleza o modo de se expressar de cada momento da narrativa.

Monte castelo é um livro em que a amizade se evidencia; em que os costumes ainda são tidos como marcas essenciais de um povo; em que a aventura é parte integrante da vida de seus personagens. É literatura de qualidade, tanto verbal quanto ficcional. Uma estória que deve fazer parte da vida de todas as pessoas que buscam verdade, paz, fé, esperança, dignidade… e amor.

Fabrício Ricardo Santos

Formado em Letras-Português pela UFS e Professor de Redação.

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